O ALCOOLISMO NO MUNDO

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O alcoolismo, ou a dependência do álcool, é uma doença crônica (de longa duração) reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). É um estado de intoxicação causado pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas, que se desenvolve de acordo com o tipo de bebida ingerida, as características físicas, emocionais e psicológicas de cada indivíduo e seu grau de tolerância ao álcool.

O álcool etílico usado nas bebidas, o etanol, é uma droga psicotrópica que afeta o sistema nervoso central. Absorvido pelo organismo, age como calmante ou estimulante, ocasionando alterações de comportamento e dependência física e psicológica.

Não existe uma causa direta para o alcoolismo. Fatores econômicos, emocionais, culturais, sociais e ambientais podem levar o indivíduo a ingerir bebidas. Calcula-se que 44% dos casos de alcoolismo são causados pela depressão. Estudos recentes indicam, ainda, que a dependência pode ser transmitida geneticamente. Segundo estatísticas do governo americano, 8% da população dos Estados Unidos é dependente do álcool. Entre os filhos de alcoólatras, esse número sobe para 40%. No Brasil, as estimativas mais recentes indicam que de 7% a 15% da população são dependentes do álcool, proporção que vem se mantendo nos últimos anos.

Danos à saúde – O alcoólatra sofre os mesmos problemas de saúde física e psicológica que um dependente de drogas. O vício leva o organismo a eliminar vitaminas, cálcio, ferro, fibra e proteína. Acarreta problemas digestivos (gastrite, úlcera e hemorragia gástrica ou intestinal), hepáticos (hepatite alcoólica, cirrose hepática), neurológicos (falta de memória e demência) e circulatórios (derrame cerebral e doenças cardíacas). Pode causar câncer de boca, faringe, esôfago e laringe. Além disso, grande número de pessoas morre em acidentes provocados por motoristas e pedestres bêbados. O alcoólatra pode, ainda, desenvolver comportamento violento e negligenciar responsabilidades sociais, profissionais e familiares.

O problema de alcoolismo cresce entre os jovens. No Brasil, apesar de ser proibida por lei a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos, o álcool é a principal droga consumida entre os adolescentes. As conseqüências são graves, pois o sistema nervoso ainda em formação aumenta a possibilidade de criar a dependência.

Sintomas – Os cientistas calculam que a dependência se desenvolve num período entre cinco e 25 anos. No geral, o primeiro sintoma de que a pessoa está se tornando alcoólatra é o aumento da tolerância ao álcool. Mais resistente, o indivíduo passa a beber cada vez mais até sentir a necessidade de ingerir álcool diariamente para manter suas atividades normais. Outro sintoma de crescimento da dependência é a perda temporária da memória e a falta de controle sobre a quantidade ingerida.

Tratamento – Calcula-se que apenas 15% dos viciados em álcool procuram tratar-se. Segundo os especialistas, a maneira mais eficiente de largar o vício deve combinar acompanhamento clínico, psicoterapia e a ajuda de familiares e de amigos. A primeira etapa do tratamento é a desintoxicação, com orientação médica, e a prescrição de tranqüilizantes e sedativos, que controlam os sintomas da abstinência alcoólica, como depressão e insônia. Existem medicamentos que interferem no metabolismo do álcool, causando mal-estar no indivíduo mesmo com pequenas doses de bebida. Mas, essas drogas têm efeitos colaterais e não podem ser tomadas por portadores de certas doenças, como cirrose. Há também drogas que bloqueiam a sensação de prazer provocada pelo álcool, como o naltrexone, e outras que eliminam a vontade de beber, como o acamprosato. Programas como o dos Alcoólicos Anônimos informam seus associados sobre os males do alcoolismo e dão suporte psicológico durante o período de reabilitação.