POR QUE O ORGANISMO DA MULHER NÃO RESPONDE IMUNOLOGICAMENTE AO ESPERMATOZÓIDE APÓS O ATO SEXUAL?

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Por que o organismo da mulher não responde imunologicamente ao espermatozóide após o ato sexual?

O organismo da mulher responde, sim, imunologicamente ao espermatozóide. No entanto, trata-se de uma reação mínima se comparada a outras respostas imunológicas naturais ou adquiridas do organismo, como as reações alérgicas. O motivo é uma deficiência de antígenos na superfície externa dos espermatozóides, ou seja, eles não são reconhecidos como um antígeno (substância capaz de provocar a formação de anticorpos) pelo organismo da mulher.

Por outro lado, é bem documentada a produção de anticorpos antiespermatozóides pelo organismo feminino. Não se sabe ao certo qual é a função desses anticorpos, mas é possível que funcionem como um sistema de “limpeza”, cuja função seria remover os espermatozóides depois de uma fecundação frustrada. Outra hipótese é que funcionem como uma proteção natural do organismo, pois sabe-se que as mulheres que engravidam nas primeiras relações sexuais estão mais sujeitas à pré-eclâmpsia – patologia que ocorre no final da gravidez provocando o edema, hipertensão arterial e proteinúria (excreção de urina com quantidades elevadas de proteínas). Aquelas que tiveram apenas um parceiro sexual também fazem parte desse grupo de risco.


Mulheres produtoras de grandes quantidades de anticorpos antiespermatozóides têm dificuldades para engravidar e de levar a gestação adiante. Esses anticorpos são secretados no muco cervical – dentro do colo uterino – e impedem a migração dos espermatozóides da cavidade vaginal para dentro do útero. Aqueles que conseguem atravessar essa barreira também podem ter dificuldade para efetuar a fecundação propriamente dita. E, caso ocorra a fecundação, essas mulheres estão mais propensas a ver sua gestação terminar em aborto espontâneo.